
Leia sobre o surgimento do sentimento de infância e sua evolução. Bem como sobre os conceitos de criança e infância, que se complementam e são culturalmente determinados, historicamente construídos. Pode-se demarcar biologicamente o período da infância, mas psicologicamente, não.
Concepções de Infância e Criança
A professora Maysa começou o encontro nos fazendo refletir sobre a história dos nossos nomes e sobre um símbolo que nos representasse. Muito interessante foi notar que a história do nome da criança já revela algo de sua identidade e de seu meio cultural e dá informações preciosas para o professor conduzir seu trabalho.
Bom, a história do meu nome não tem muita magia. Minha mãe queria “Heloisa Helena” por achar bonito, no entanto meu pai registrou Heloise Regina sem dizer nada e explicou depois que achou o nome “Heloise” diferente e mais bonito. Eu sei que é uma variação francesa de Heloisa, alemão. Quanto ao significado, apenas encontrei que indica uma pessoa persistente. O símbolo que desenhei para me representar foi uma borboleta, talvez pela sua leveza, acho que as nossas ações e pensamentos são melhores quando realizados com calma e serenidade, e isso é bastante válido no trabalho com educação infantil principalmente no período de adaptação das crianças de quatro anos.
Partindo da discussão, chegamos às noções de infância e criança. Para mim foi bastante proveitoso, pois nunca havia me atentado para a questão do sentimento de infância, como surgiu e como evoluiu. Aprendi que criança e infância são conceitos que se complementam, culturalmente determinados e historicamente construídos. Pode-se demarcar biologicamente o período da infância, mas psicologicamente, não. Para aprofundar no assunto foi proposta a leitura do texto: Crianças, Infâncias e Educação de Andrea Studart. Assim, fiz a seguinte linha do tempo, em apresentação de slides, com a evolução das concepções de criança e infância:
Material: Linha do Tempo
A autora Regina Navarro Lins, no livro A Cama na Varanda, faz um apanhado histórico sobre a invenção da maternidade.
As transformações tecnológicas ocorridas na Europa na segunda metade do séc. XVIII mudaram a relação do homem com o mundo e consigo próprio. Surge o capitalismo. Os homens vão para o mercado de trabalho e a mulher cuida da família, surgindo o ideal de amor materno. No entanto havia ainda forte influência das idéias de Santo Agostinho, para quem a criança era vista como símbolo da força do mal, um ser imperfeito e esmagado pelo peso do pecado original que precisava ser corrigido.
Assim as crianças eram criadas por amas-de-leite. A primeira agência de amas em Paris data do séc. XVIII. As famílias ricas consideravam o ato de amamentar humilhante e um estorvo à vida conjugal. Logo que o bebê nascia contratava-se uma mulher saudável para amamentar e criar a criança por quatro ou cinco anos. As mães não tinham contato com os filhos durante esse período.
Nas famílias pobres, os filhos eram entregues a qualquer mulher e geralmente eram mal tratados e criado em péssimas condições de higiene. Era comum a criança voltar ao lar raquítica, com algum defeito físico ou gravemente doente. A mortalidade infantil nessa época era considerada banal.
Conceitos:
Criança: é um ser completo, com suas próprias características (Rosseau descreve que a criança tem um modo singular de entender e de ver o mundo). Deve ser entendida dentro do seu estágio de vida. Assim, a escola não complementa ou molda a criança, mas sim proporciona condições para que se desenvolva plenamente. É um conceito variável e que se estabelece nas dimensões psicológica, social e afetiva.
Infância: é uma categoria da história humana.
Bibliografia para o professor da Educação Infantil:
Antropologia da Criança - Clarice Cohn - Ed. Jorge Zahar, 2005
Educação Infantil: fundamentos e métodos - Z. R. de Oliveira - Cortez, 2002
História das Crianças no Brasil - Mary Del Priore - Contexto, 1999
Henry Wallon: uma concepção de desenvolvimento infantil - I. Galvão - Vozes, 1995
Profissionais da Educação Infantil: gestão e formação - Sônia Kramer - Ática, 2005
Aprender e Ensinar na Educação Infantil - Eulália Bassedas - Artmed, 1999
Um Mundo de Crianças – Caio Vilela e Ana Busch
Crianças como Você – UNICEF
História Social da Infância e da família - Philippe Ariès
Ensino Fundamental de Nove Anos.
Filme: A Invenção da Infância de Liliana Sulzbach
Texto sugerido:
Noção de Criança e Infância: Diálogos, Reflexões, Interlocuções - Michele G. Bredel de Castro
Planos de Aula: 25.03, 01.04, 08.04, 06.05, 08.05
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