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Consciência Fonológica e Oralidade

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 O que é consciência fonológica? Qual a sua relação com o processo de alfabetização e letramento? E a oralidade, que importância tem no cotidiano escolar?

Consciência Fonológica e Oralidade 

 Nos estudos de alfabetização e letramento surgiram dúvidas quanto à habilidade de reconhecimento das unidades fonéticas da língua e qual a sua importância na aquisição de leitura e da escrita. O tema consciência fonológica e oralidade foi abordado tanto em aulas na UnB, quanto em encontros na EAPE. E para maior embasamento nas aulas da tutoria pesquisei alguns artigos e livros os pontos abaixo.

Consciência Fonológica

Conceitos:
 Habilidade metalingüística de tomada de consciência das características formais da linguagem. É entender, de forma consciente, que os sons associados às letras são os mesmos da fala e que esses podem ser manipulados.
“O termo consciência fonológica foi definido como a percepção de que as palavras são construídas por diversos sons. Tal conceito diz respeito tanto à compreensão de que a fala pode ser segmentada quanto à habilidade de manipular esses segmentos”. (MEDEIROS e OLIVEIRA, 2008).
“É a capacidade de distinguir e manipular os sons constitutivos da língua. A consciência fonológica existe, de maneira mais ou menos grosseira, antes do aprendizado da leitura e se reforça ao longo dos diferentes tempos desta aquisição.” (RIVIÈRE, 2001 apud Carvalho, 2007).

Níveis da Consciência Fonológica:
 1 – segmentação da língua: a frase pode ser segmentada em palavras, as palavras em sílabas e as sílabas em fonemas.
 2 - as unidades segmentadas repetem-se em diferentes frases, palavras, e sílabas.

Sub- habilidades:
1. Rimas e aliterações: rima é a correspondência fonêmica entre duas palavras a partir da vogal da sílaba tônica, não precisa ter correspondência gráfica. Aliteração é a repetição da mesma sílaba ou fonema na posição inicial das palavras (trava-língua)

2.  Consciência de palavras: também chamada de consciência sintática, representa a capacidade de segmentar a frase em palavras e, além disso, perceber a relação entre elas e organizá-las numa seqüência que dê sentido, usada na produção de textos

3.  Consciência silábica: capacidade de segmentar as palavras em sílabas (análise e síntese)

4.  Consciência fonêmica: capacidade de analisar os fonemas que compõem a palavra. É a mais refinada da consciência fonológica, é também a última a ser adquirida pela criança.

“Parte da dificuldade de se desenvolver a consciência fonêmica é que, de uma palavra a outra e de um falante a outro, o som de um determinado fone pode variar consideravelmente. Esses tipos de variações na forma falada que não indicam uma diferença de significado são chamadas de alofones de  fonema.” (ADAMS et al, 1998)
“A consciência fonológica desenvolve-se gradualmente conforme a criança adquire conhecimento das palavras, sílabas e fonemas como unidades possíveis de identificação. O desenvolvimento da consciência fonológica parece ocorrer naturalmente, segundo um ritmo previsto na linguagem oral. Porém, também é afetada pelo tipo de experiência que a criança possui. Em torno de seis a sete anos de idade, há um crescente desenvolvimento desta consciência, coincidindo com o início da escolarização.” (MEDEIROS e OLIVEIRA, 2008).
 
 
Larga a tia, largatixa!
Largatixa,larga a tia!
Só no dia em que sua tia
Chamar largatixa
De lagartixa

O professor deve encontrar formas de fazer com que as crianças notem os fonemas, sua existência e a possibilidade de separá-los.
Que atividades desenvolvem a consciência fonológica?
 Poemas pequenos para recitar
 Trava-língua link
 Músicas b
 Advinhas
 Parlendas link: as caveiras Bia Bedran you tube
 Ditados populares
 Brinquedos cantados  o rato no you tube
  Histórias e músicas cumulativas Link: história da coca
 Jogos de escuta
 Jogos de linguagem

 

                                         Chico
                                         Chicote
                                         Nariz de bodoque
Lé com lé
Cré com cré
Um sapato em cada pé 


 

Qual a importância de se trabalhar a consciência fonológica na educação infantil?

Em 2003, a Câmara dos Deputados publicou o Relatório Final do Grupo de Trabalho Alfabetização Infantil: os novos caminhos, com o objetivo apresentar uma visão atualizada sobre as teorias e práticas de alfabetização como base para uma análise da situação brasileira.
O documento aponta que a consciência fonêmica é imprescindível para a compreensão do princípio alfabético e para entender a lógica da decodificação, pois os fonemas são as unidades de som representadas pelas letras. Sem tal habilidade, o aluno terá dificuldade em compreender a ortografia de uma língua alfabética e passará a decorar as palavras com base na sua aparência.
         
“Durante os últimos anos, estudos nesta área têm demonstrado que para a criança aprender a ler é essencial que ela tenha habilidades de processamento fonológico. A capacidade de refletir sobre a estrutura sonora da fala bem como manipular seus componentes estruturais, a chamada consciência fonológica, está intimamente relacionada à aprendizagem da leitura e escrita. Assim, estudos comprovam que a introdução de atividades com rimas, aliterações, sílabas e fonemas na pré-escola possa produzir ganhos importantes no desenvolvimento de conceitos e habilidades que são pré-requisitos no processo de alfabetização.” (DAMBROWSKI et al, 2008).
 
Devemos lembrar também de fazer com que a criança se envolva nas práticas do mundo letrado. Trabalhando com textos significativos mesmo antes da aquisição formal da leitura e da escrita.

Slides: EAPE consciência


Oralidade

 “As primeiras manifestações verbais das crianças, são vocalizações, ou seja, sons emitidos apenas pelo prazer de brincar. Aos poucos essa brincadeira vai se transformando em tentativas de comunicação, principalmente pela influencia positiva de um ambiente estimulador e afetivo.” (VELLASCO)

 A questão da oralidade foi discutida com a análise de dois filmes:
Sinopse: A Maçã
Irã, 86 Minutos, Drama O filme acompanha a história de duas meninas gêmeas, que foram trancafiadas em casa pela família, até os 11 anos de idade. Nesse período, nunca tiveram contato com outras pessoas a não ser com os pais. Criadas num bairro pobre do Teerã, as meninas foram descobertas a partir da denúncia dos vizinhos a uma Assistência Social.
Diretor / Roteirista: Samira Makhmalbaf

Sinopse: Narradores de Javé.
Nada mudaria a rotina do pequeno vilarejo de Javé se não fosse o fato de cair sobre ele a ameaça repentina de sua extinção: Javé deverá desaparecer inundado pelas águas de uma grande hidrelétrica. Diante da infausta notícia, a comunidade decide ir a defesa de sua existência pondo em prática uma estratégia bastante inusitada e original: escrever um dossiê que documente o que consideram ser os "grandes" e "nobres" acontecimentos da história do povoado e assim justificar a sua preservação. Se até hoje ninguém se preocupou em escrever a verdadeira história de Javé, tal tarefa deverá agora ser executada pelos próprios habitantes. Como a maioria dos moradores de Javé são bons contadores de histórias mas, mal sabem escrever o próprio nome, é necessário conseguir um escrivão à altura de tal empreendimento. É designado o nome de Antônio Biá, personagem anárquico, de caráter duvidoso, porém o único no povoado que sabe escrever fluentemente. Apesar de polêmico, ele terá a permissão de todos para ouvir e registrar os relatos mais importantes que formarão a trama histórica do vilarejo. Uma tarefa difícil porque nem sempre os habitantes concordam sobre qual, dentre todas as versões, deverá prevalecer na memória do povoado. Na construção deste dossiê, inicia-se um duelo poético entre os contadores que disputam com suas histórias - muitas vezes fantásticas e lendárias - o direito de permanecerem no patrimônio de Javé.
Direção: Eliane Caffé


O primeiro deles foi “A Maçã”. O filme mostra a importância da mediação informal da mãe e dos familiares para o desenvolvimento da linguagem e da organização do pensamento da criança.  Na interação com o seu meio e com outro, a criança constrói a gramática materna, oral e informal, que é a base para a linguagem formal, escolarizada.   A privação desse contato social e da aquisição da gramática materna causa profundas seqüelas nas áreas motora, cognitiva, afetiva e social.
Assim, chegamos à conclusão de que a linguagem materna deve ser valorizada na escola e usada como ponto de partida para o letramento e a alfabetização dos alunos. Atividades de rotina como a rodinha e a contação de histórias são de extrema importância para o aprimoramento da oralidade, nesses momentos a criança mostra seu modo de falar e entra em contato com outras culturas e com o conhecimento escolarizado.

 Com o filme Narradores de Javé, fizemos um paralelo entre a cultura da oralidade, que acontece na expressão do pensamento por meio da fala, da conversa, da escuta, da comunicação e se configura em uma herança cultural. E a cultura escolarizada que apresenta elementos como a escrita, avaliação e disciplina.
 A constituição do povoado independia do espaço geográfico, mas mostrava sua conexão e sua existência por meio das diversas histórias contadas e criadas pelo seu povo. Dessa maneira elementos como identidade e territoriedade estão ligados à oralidade

 

Textos: 
A influência da consciência fonológica em crianças alfabetizadas pelos métodos fônico e silábico. - Tatiana Gonçalves de Medeiros,  Elka Renata Costa Oliveira
Influência da consciência fonológica na escrita de pré-escolares. Adriane Bittencourt DambrowskiI, Cristine Leal Martins, Juliana de Lima Theodoro, Erissandra Gomes.

Livro sugerido:
Consciência Fonológica em Crianças Pequenas -  Marilyn Jager Adams

Vídeo:
 Pensamento Infantil - A Narrativa da Criança, Revista Nova Escola

Plano de aula: 05.08

 

Leitura Compartilhada

Como é de costume iniciar todas as aulas com uma leitura compartilhada, a minha é a imagem da Beatriz Milhazes que está no cabeçalho. Lembra muito o mundo infantil com suas cores, movimentos e travessuras... Mundo esse que o professor não pode deixar de levar para o cotidiano escolar. Pois, bem sabemos que, ao inserir a realidade da criança na a sala de aula promovemos a aprendizagem significativa descrita por David Ausubel, ou seja, a que está ancorada a conhecimentos existentes. Pois, o que mais influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe, que o autor define como conceito subsunsor,aquele que facilita a interação da nova informação com uma estrutura de conhecimento específica.
Fonte: Teorias de Aprendizagem, Marco Antônio Moreira, 1999

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