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Heloíse Martins

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Gêneros Textuais

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A importância do trabalho com gêneros do discurso no processo de letramento do aluno.

  Gêneros Discursivos

A professora Rosineide Magalhães iniciou a aula com aspectos históricos sobre a cultura oral e a escrita. Na antiguidade, antes da escrita, as notícias eram dadas pelos mensageiros. O povo tinha uma cultura oral. A escrita aparece no séc. VII AC com o pergaminho, e a carta é o primeiro gênero que surge.

Para identificar o gênero discursivo, escrito ou oral, deve-se perguntar:
Para que serve?
Que tipo?
 
Suporte: é onde aparece o gênero. Exemplo: papel, computador, outdoor, televisão, rádio.
 
Configuração: é como aparece o gênero

 1 – escritos
 2 – orais: rádio
 3 – simples ou complexos: bilhetes, monografia
 4 – híbrido: composto por vários recursos de linguagem (jornais, dossiê, portifólio).

Os gêneros integram vários tipos de semioses: signos verbais, sons, imagens e formas em movimento ou estáticas.

Conceitos

Gêneros discursivos: são realizações lingüísticas concretas orais ou escritas, surgem da nossa necessidade, são empíricos.
EX: certidão de nascimento, resenha, telefonema, notícia jornalística, crônica, novela, horóscopo, receita, ofício, e-mail, bilhete, aula, monografia, parlenda, rótulos, musica...

“Os gêneros são, em ultima análise, o reflexo de estruturas sociais recorrentes e típicas de cada cultura. Por isso, em princípio, a variação cultural deve trazer conseqüências significativas para a variação de gêneros, mas este é um aspecto que somente o estudo intercultural dos gêneros poderá decidir.” (MARCUSCHI, 2002)

 Tipos textuais: são seqüências lingüísticas e não textos materializados, a rigor, são modos textuais, não são empíricos. Servem para a produção dos gêneros, estão no interior desses. Os tipos textuais são cinco:
 
  Narração: indica uma ação, tempo, espaço, personagem
  Descrição: é estática, caracteriza lugares, pessoas objetos, sem as impressões
  Injunção: ordens, perguntas, incita a uma ação.
  Exposição: define, conceitua.
  Argumentação: defende idéias, atribui qualidade.

 “... espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas).” (MARCUSCHI, 2002).
 “... forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares.” (MARCUSCHI, 2002).


 Fizemos o estudo do texto Gêneros Textuais: definição e funcionalidade de Luiz Antônio Marcuschi, e destacamos os seguintes aspectos para trabalhar com as cursistas na tutoria:
 
 - Os gêneros são eventos sociais maleáveis e surgem das necessidades e atividades sócio-culturais com grande influencia das inovações tecnológicas.
 - Os grandes suportes tecnológicos da comunicação (rádio, televisão, jornal, internet, revista), por terem uma presença marcante e centralidade nas atividades comunicativas, vão propiciando e abrigando gêneros novos bastante característicos.
 - Os gêneros surgem ancorados em outros gêneros. Pode ser por transmutação ou por assimilação de um por outro.
 - O que determina o gênero? Pode ser a forma, a função, o suporte ou o ambiente em que os textos aparecem.
 - O gênero privilegia a natureza funcional e interativa da língua, já o tipo textual se preocupa com o aspecto formal e estrutural.
 - Heterogeneidade tipológica: um gênero com mais de um tipo textual.
 - Intertextualidade inter-gêneros: um gênero com função de outro.
 - Domínio discursivo: esfera ou instancia de produção discursiva ou de atividade humana. Não é um texto nem discurso, mas propicia o surgimento de discursos bastante específicos. Do ponto de vista dos domínios falamos em discurso jurídico, jornalístico etc., já que as atividades jurídica, jornalística não abrangem um gênero particular, mas, dão origem a vários deles.
 -Texto: entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual.
 - Discurso: é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instancia discursiva. O discurso se realiza nos textos.
 - Deve-se atentar ao uso adequado dos gêneros, pois, por exemplo, contar piadas fora de lugar é um caso de violação das normas sociais relativas aos gêneros textuais.
 - Aspectos que devem ser observados na produção e uso do gênero textual:
         Natureza da informação
         Nível de linguagem (formal, informal, dialetal, culta)
         Situação em que o gênero se apresenta (pública, privada, solene)
         Relação entre os participantes
         Objetivos das atividades desenvolvidas

Num outro momento, a professora Rosineide falou sobre gêneros multimodais e as diferentes linguagens que devem ser trabalhadas na Educação Infantil.
 Gênero multimodal é a união da linguagem verbal (representa a fala, a escrita) com a não-verbal (representação de mundo). São diferentes meios de se registrar as diversas linguagens que aparecem em vídeos, livros, músicas etc. usando variadas tecnologias.
 As atividades na Educação Infantil podem ser organizadas orientadas pelas diversas linguagens. Trabalhando essas linguagens, a linguagem verbal    começa a aparecer nas verbalizações da não-verbal.
 
 Linguagens não verbais: matemática, da natureza, midiática, gestual, etc.
 Linguagens verbais: oral e escrita.
 
O desenho pode ser considerado escrita?
Sim, é uma escrita, pois representa uma idéia.

Para Cagliari, 1999, o desenho representa o mundo de forma indireta e a escrita o representa de forma direta. A autora coloca que o desenho é tomado como escrita quando ele se refere à palavra, ao ato e não apenas ao objeto que existe no mundo.
Ainda segundo Cagliari, a escrita por meio do desenho (pictográfica) permite múltiplas interpretações, isso devido ao seu caráter ideográfico.

Slides: Gêneros Multimodais
Slides: Linguagem e Educação

Texto:
          O ensino de gêneros em três tradições: implicações para o ensino aprendizagem de língua materna -  Clécio Bunzen

Livro sugerido:
DIONISIO, A. P. et AL (org). Gêneros Textuais e Ensino. 2ed Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

Plano de aula: 12.08

 

Leitura Compartilhada

Como é de costume iniciar todas as aulas com uma leitura compartilhada, a minha é a imagem da Beatriz Milhazes que está no cabeçalho. Lembra muito o mundo infantil com suas cores, movimentos e travessuras... Mundo esse que o professor não pode deixar de levar para o cotidiano escolar. Pois, bem sabemos que, ao inserir a realidade da criança na a sala de aula promovemos a aprendizagem significativa descrita por David Ausubel, ou seja, a que está ancorada a conhecimentos existentes. Pois, o que mais influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe, que o autor define como conceito subsunsor,aquele que facilita a interação da nova informação com uma estrutura de conhecimento específica.
Fonte: Teorias de Aprendizagem, Marco Antônio Moreira, 1999

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