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Heloíse Martins

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Sociolinguística

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O que é a sociolingüística?
         É uma vertente da lingüística que tem como objetivo o estudo da fala em situação de uso.


Sociolingüística

Finá de ato
Adispôs de tanto amor
De tanto cheiro cheiroso
De tanto beijo gostoso, nós briguemos
Foi uma briga fatá; eu disse: cabou-se!
Ele disse; cabou-se!
E nós dois fiquemos mudo, sem vontade de falá.
Xinguemos, sim, nós se xinguemos

Como se pode axingá:

-Ô, mandinga de sapo seco!
_Ô, baba de cururu!
_Tu fica no Norte
Que eu vô pru sul
Não quero te ver nem pintado de carvão
Lá no fundo do quintá
E se eu contigo sonhar
Acordo e rezo o Creio em Deus Pai
Pru modi não me assombrá.

É... o Brasil é muito grande
Bem pode nos separar!

Eu engoli um salucio
Ele, engoliu bem uns quatro.
Larguemo o pé pelo mato
Passou-se tantos tempo
Que nem é bom recordar...

Onti, nós se encontremus
Nenhum tentou disfarçá
Eu parti pra riba dele
Cum fogo aceso nu oiá
Que se num fosse um cabra de osso
Tava aqui dois pedaço.

Foi tanto cheiro cheiroso...
Foi tanto beijo gostoso...
Antonce nós si alembremos
O Brasil... é tão pequeno
Nem pode nos separa!

Texto original de autor desconhecido. Adaptação de Gertrudes da Silva Jimenez Vargas

O que é a sociolingüística?
 É uma vertente da lingüística que tem como objetivo o estudo da fala em situação de uso.
 Possui duas vertentes: a interacional que estuda o uso da língua na relação entre os pares. E a vertente variacionista que investiga as formas de identificação das pessoas por meio da expressão verbal.

O que é variação lingüística?
 Para Cagliari, 1999, são as peculiaridades que a língua vai adquirindo com o tempo em função do seu uso por comunidades específicas. “Todas as variedades, do ponto de vista estrutural lingüístico, são perfeitas e completas entre si. O que as diferencia são os valores sociais que seus membros têm na sociedade.”
 
  A sociolingüística está dividida em dois ramos, o norte americano e o europeu. Para o primeiro, variações lingüísticas são as diferenças dentro de uma mesma língua quanto ao uso, vocabulário, semântica. E, o ramo europeu considera como variação lingüística o dialeto. O que, para alguns lingüistas, é considerado outra língua.

Fichamento do texto: A Escola entre a Ciência e o Senso Comum, Marcos Bagno, 2007.

 “...onde tem variação (lingüística) sempre tem avaliação (social).”

O autor coloca que nossa sociedade é extremamente hierarquizada e que os bens e valores culturais circulantes, incluindo a língua, também o são. Dessa maneira, a sua forma de falar diz à que camada social você pertence. O que torna a língua um poderoso instrumento de controle social, de promoção ou de humilhação, de inclusão ou de exclusão.

Mesmo sabendo que as formas nós vai e nós vamos são duas formas de dizer a mesma coisa, elas comunicam a origem social de quem fala, sua inserção maior ou menor na cultura letrada, sempre mais valorizada que a oral.
 
Ao professor cabe promover a reeducação sociolingüística, que é valer-se do espaço e do tempo escolares para formar cidadãos conscientes da complexidade da dinâmica social, das múltiplas escalas de valores que empregamos a todo momento em nossas relações com as outras pessoas por meio da linguagem.
Esse trabalho implica em levar o aluno a:
      Entender que é possuidor de plena capacidade de expressão.
      Tomar consciência da escala de valores existente na sociedade, mas sem levar a aceitação dessa discriminação nem à submissão a ela.
      Ampliar o seu repertório comunicativo.
      Conscientizar-se de que a língua é elemento de promoção social e também de repressão.
      Inserir-se nas práticas de letramento.
      Reconhecer a diversidade lingüística como uma riqueza da nossa cultura.

Bagno faz uma crítica ao uso inadequado das tiras do Chico Bento, dos sambas de Adoniran Barbosa e dos poemas de Patativa do Assaré para tratamento da variação lingüística. O uso apenas desses exemplos mostra que a variação lingüística é tratada como sinônimo de variedade regional, de pessoas não escolarizadas. Além disso, as falas desses personagens não são representações fiéis das variedades lingüísticas que veiculam, mas deve ficar claro que esse não é o problema já que são manifestações artísticas e não têm o compromisso científico.
O interessante seria levar os alunos a refletirem sobre a não fidelidade da transcrição que aparece nas tirinhas e que muitos traços ali presentes apareçam no meio urbano também.
O português brasileiro são três: uma norma padrão que ninguém fala, aquela da gramática. Um conjunto de variedades estigmatizadas e um conjunto de variedades prestigiadas.


Existem dois conjuntos de traços lingüísticos:
 Traços graduais – presentes em todos os falantes (rôpa, pôco, ôro)
 Traços descontínuos – presentes nos falantes das variedades estigmatizadas (teia, abêia, trabaia)

O conceito de erro: é sociocultural e depende da avaliação do meio que se está inserido. Para a lingüística o erro não existe, ele é um fenômeno passível de ser explicado por teorias lingüísticas.

“Certo e errado são conceitos pouco honestos que a sociedade usa para marcar os indivíduos e classes sociais pelos modos de falar e para revelar em que consideração os tem... Essa atitude da sociedade revela seus preconceitos, pois marca as diferenças lingüísticas com marcas de prestígio ou estigma.” (CAGLIARI, 1999)

Textos:
Oralidade e Aquisição da Linguagem Escrita - Malu Alves de Souza
Métodos de alfabetização e consciência fonológica: o tratamento de regras de variação e mudança - Stella Maris Bortoni-Ricardo

 Sites:
Stella Bortoni

Livros:
Alfabetização e Lingüística – Luiz Carlos Cagliari – SP – Sipione, 1999
Nada na Língua é Por Acaso – Marcos Bagno – SP, Parábola, 2007

 

Leitura Compartilhada

Como é de costume iniciar todas as aulas com uma leitura compartilhada, a minha é a imagem da Beatriz Milhazes que está no cabeçalho. Lembra muito o mundo infantil com suas cores, movimentos e travessuras... Mundo esse que o professor não pode deixar de levar para o cotidiano escolar. Pois, bem sabemos que, ao inserir a realidade da criança na a sala de aula promovemos a aprendizagem significativa descrita por David Ausubel, ou seja, a que está ancorada a conhecimentos existentes. Pois, o que mais influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe, que o autor define como conceito subsunsor,aquele que facilita a interação da nova informação com uma estrutura de conhecimento específica.
Fonte: Teorias de Aprendizagem, Marco Antônio Moreira, 1999

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